Bruno Serra e Itaú Janeiro desafiam consenso: a tese pela continuidade dos cortes da Selic em 2026
Alberto Junior·Publicado em 08/07/2026·Atualizado em 15/07/2026·7 min de leitura
O cenário de julho de 2026: Otimismo contra a corrente
Hoje, 8 de julho de 2026, o mercado financeiro caminha com cautela. Grande parte dos agentes econômicos receia uma interrupção no ciclo de cortes de juros, preocupados com a inflação persistente. Ainda assim, a Itaú Asset, sob o comando de Bruno Serra, mantém uma visão divergente e mais otimista.
Navegue pelo conteúdo:
- O cenário de julho de 2026: Otimismo contra a corrente
- A divergência na inflação: IPCA de 4,6% vs. 5,3%
- Cronograma de cortes: O que esperar das próximas reuniões do Copom
- Estratégia de portfólio: Como se posicionar
- O fator Federal Reserve: A era Kevin Warsh e o dólar
- Kapitalo e o campo construtivo nos ativos locais
- Monitorando os dados
Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, traz uma bagagem técnica que dá peso extra à estratégia da gestora. A Itaú Asset acredita que a inflação brasileira vai desacelerar mais rápido do que o consenso projeta. Para Serra e seu time, os fundamentos macroeconômicos recentes dão suporte para que a Selic continue caindo, desafiando a ideia de que o ciclo deveria pausar agora para conter riscos.
Ponto de Atenção
A divergência entre a Itaú Asset e o mercado mostra que é preciso monitorar indicadores específicos, que podem sinalizar a desinflação antecipada defendida por Bruno Serra.
A divergência na inflação: IPCA de 4,6% vs. 5,3%
O centro do debate atual está na trajetória inflacionária. Enquanto a mediana do Boletim Focus aponta um IPCA de 5,3% em 2026, a Itaú Asset trabalha com 4,6%. Essa diferença de 70 pontos-base não é pouca coisa e mostra visões distintas sobre a resistência da economia aos juros altos.
A tese da Itaú Asset diferencia itens voláteis de preços persistentes. Enquanto alimentos e bens industriais oscilaram devido a choques externos, o setor de serviços — que costuma ser mais inercial — tem esfriado aos poucos. Isso indica que o aperto monetário está, sim, segurando a demanda e ancorando expectativas.
Mesmo com o petróleo e tensões globais pressionando custos de transporte, a equipe de Serra argumenta que são impactos passageiros. A divergência reside na aposta de que o efeito defasado dos juros será mais eficaz do que o mercado precifica hoje.
| Indicador | Mediana Focus | Projeção Itaú Asset |
|---|---|---|
| IPCA 2026 | 5,3% | 4,6% |
| Serviços | Em desaceleração | Tendência de queda firme |
| Pressões Externas | Alta relevância | Impacto transitório |
Cronograma de cortes: O que esperar das próximas reuniões do Copom
Na segunda metade de 2026, a perspectiva de Bruno Serra e do time do Itaú Janeiro chama a atenção por ir na contramão do ceticismo geral. A ideia central é que, mesmo com as incertezas globais, o Banco Central tem margem para seguir com a flexibilização. A expectativa para agosto e setembro aponta para cortes de 0,25 ponto percentual. É uma calibragem fina, feita para ajustar as condições financeiras sem soltar as expectativas inflacionárias.
Claro, nada é imutável. Serra ressalta que, se a economia der sinais claros de desaceleração mais forte no quarto trimestre de 2026, o Comitê pode rever sua postura. Nesse caso, a política monetária teria espaço para reduzir a Selic com mais vigor, evitando prejuízos ao consumo e ao investimento privado. A flexibilidade é a chave para o Banco Central atravessar as oscilações do cenário atual.
- Monitorar as próximas decisões de agosto e setembro com viés de baixa de 0,25 p.p.
- Observar indicadores de atividade econômica no final do terceiro trimestre para possível aceleração do ciclo
- Manter atenção à ancoragem das expectativas de inflação como balizador das decisões
Estratégia de portfólio: Como se posicionar
Para aproveitar a ideia de que a Selic continuará caindo em 2026, o fundo multimercado Janeiro tem adotado um posicionamento focado na curva de juros. Estar “aplicado em juros nominais” significa apostar na valorização dos ativos com a queda das taxas; na prática, a gestora compra títulos prefixados ou DI futuro. Ao mesmo tempo, a estratégia inclui estar “vendido em inflação implícita”. Ou seja, o fundo lucra se a expectativa de inflação futura diminuir, o que combina com as metas do Banco Central.
A Janeiro não ignora o ambiente de riscos. Para lidar com incertezas eleitorais e fiscais, a gestora usa o Credit Default Swap (CDS) como proteção. Esse derivativo funciona como um seguro contra o risco de crédito do país, permitindo mitigar oscilações sob a premissa de que os riscos locais já estão precificados.
Resumo
O fundo Janeiro aposta na queda da Selic via posições aplicadas em juros nominais e vendidas em inflação implícita, usando CDS para se proteger de ruídos fiscais e eleitorais já incorporados aos preços.
O fator Federal Reserve: A era Kevin Warsh e o dólar
O cenário internacional mudou com a presidência de Kevin Warsh no Federal Reserve. Enquanto muito do mercado segue “hawkish”, prevendo juros americanos altos por muito tempo para frear a inflação, a Itaú Asset tem outra leitura. Para Bruno Serra, a gestão de Warsh tende a ser prudente, mantendo juros estáveis enquanto avalia o efeito de tarifas comerciais e os preços do petróleo.
Isso impacta diretamente o câmbio. Se o Fed mantiver uma postura de observação em vez de novos aumentos, a pressão sobre o dólar deve diminuir. A tese da Itaú Asset sugere que a alta do dólar em junho pode reverter conforme os dados de inflação nos EUA convirjam. Essa acomodação global seria um fôlego para o real, dando ao BC brasileiro mais previsibilidade para continuar o corte da Selic.
Qual a influência de Kevin Warsh na política monetária atual?
Kapitalo e o campo construtivo nos ativos locais
A Kapitalo Investimentos reforça seu otimismo com o mercado doméstico, mantendo uma visão construtiva, mesmo diante de um Fed ainda cauteloso. Para a gestora, o Brasil oferece diferenciais que justificam esse otimismo tático.
O posicionamento da casa reflete essa confiança em estratégias de juros reais, buscando ganhar com a convergência da curva, e mantendo posições compradas em ações de setores resilientes. A Kapitalo se une a outras gestoras que identificam boas oportunidades no mercado brasileiro, apostando que os ativos locais podem se descolar das pressões externas ainda neste segundo semestre de 2026.
Prós e Contras do Cenário Local
- Potencial de descompressão da curva de juros
- Valuation atraente em setores específicos da Bolsa
- Resiliência macroeconômica frente a choques externos
- Volatilidade persistente devido à política monetária global
- Possível impacto de riscos fiscais recorrentes
- Sensibilidade ao fluxo de capital estrangeiro
Monitorando os dados
A tese de Bruno Serra e do Itaú Janeiro mostra que o corte da Selic em 2026 é possível, desde que o cenário macro siga ajudando. O sucesso disso depende de a inflação de serviços continuar perdendo força, o que é o grande termômetro para as expectativas do mercado.
Ponto de Atenção
Ficar de olho nos dados fiscais e nos índices do IBGE é o caminho para o investidor neste segundo semestre de 2026.
Para o fim de 2026, espera-se que os juros reflitam o equilíbrio entre disciplina fiscal e a realidade dos preços. Reforçamos que este conteúdo tem caráter educativo, não sendo uma recomendação de investimento.
Fontes
Aviso Importante
Este conteúdo é meramente informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Consulte um especialista antes de tomar decisões.